Sexta-feira, 28 de Março de 2008

Quem manda sou eu!

No Tibete aquilo anda de pantanas.

«Questão tibetana é assunto doméstico», diz Quin Gang
O Governo chinês aconselhou esta quinta-feira os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, que se reúnem no próximo fim-de-semana, a evitarem tocar na questão tibetana, que Pequim afirma ser assunto interno da China, avança a «Lusa».
«A questão tibetana é totalmente um assunto doméstico da China e não admito qualquer interferência», afirmou Quin Gang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
Afirmando que as manifestações no Tibete são obra de «criminosos», o porta-voz, que falava em Pequim em conferência de imprensa de rotina, comparou a experiência chinesa com a situação europeia. «Também existem criminosos violentos nos países europeus. Como é que a polícia lida com estes casos na Europa?», questionou o porta-voz comentando os planos já anunciados pela presidência eslovena da UE de discutir a situação no Tibete.

Em O Publico.

Aconselha ou não admite?!
Nota: Na Europa, numa "manifestação" de holigans se morrer uma pessoa é noticia, imaginem se fossem mais de 100?!
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Quarta-feira, 26 de Março de 2008

Os cinco anéis



Kaiyang, 26 Março - Anéis olímpicos formados nos campos de colza e trigo em Kaiyang na província de Guizhou, no sudoeste da China. Cada um tem 136 metros de diâmetro

Em www.record.pt
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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

E sobre as férias?

Não contas nada de curioso, interessante ou ridículo?
Perguntam vocês.

Bom, tanta coisa nova e engraçada se viveu que o difícil foi fixar os pormenores que poderiam ter interesse quando rematados aqui no blog. Mas vou falar um pouco destes quase trinta dias em viagem. As foto reportagens já vocês tiveram oportunidade de ver nos remates anteriores, portanto, das paisagens acho que uma imagem vale mais que mil palavras.

Do ponto vista dos pais Txa's a viagem começou sem malas, não fosse terem começado a fuga na caótica capital Angolana. Segundo consta uma das duas malas perdeu a etiqueta e cinta de protecção numa deslocação de apenas 50m depois do check in, visto isto viram-se obrigados a reclamar e a exigir que recolocassem uma nova etiqueta na mala, resultado: ficou registado que embarcaram 3 malas de Luanda para Hong Kong. As malas apareceram dois dias depois, escusado será dizer que a 3ª ainda se encontra em local incerto. :)
Hong Kong é uma cidade atraente e sedutora; a primeira, segunda e terceira impressão são sempre positivas, ideal para turista ver, admirar, seduzir-se, perder-se em compras e ir embora. Foi isso que se passou com os Txa's.
Depois veio Macau e o Natal, a nossa casa por agora. Macau invariavelmente encanta os lusitanos, mesmo na época natalícia, quando as saudades de casa mais apertam. É uma cidade com quase tudo o que nós gostamos, mas também com muita coisa que nos surpreende a cada esquina que cruzamos. Venham ver para crer.
Boracay é uma ilha em festa! Quase tudo acontece na areia, ora ao som das pequenas ondas durante dia, ora de musica depois de o sol se pôr. De “engraçado” aconteceram duas coisas, uma à chegada outra à partida e foi nada mais nada menos que esperar umas horas valentes no aeroporto pelo avião, isto porque a Asian Spirit não levanta voo se tiver “mau tempo”. O que me surpreendeu é que “mau tempo” para esta companhia são uns chuviscos batidos a brisa do mar. Era ver as outras companhias a levantar e a aterrar e da Asian Spirit apenas as horas a passar.
O que melhor define Beijing é: Capital da China.
Nanjing surpreendeu-me, é uma boa cidade, tem algumas coisas para visitar, passeia-se bem nas ruas e teve esta curiosidade:
Foi a primeira vez que vi humor despropositado na china. Despropositado, entenda-se sem um objectivo prático é que o povo chinês é extremamente prático e não “perde” tempo com “estas” coisas.
Por falar em sentido prático, vejam este exemplo na fronteira em Nanjing. Para além das práticas canetas que os postos fronteiriços costumam disponibilizar para preencher o sempre obrigatório “Departure Card” este posto ainda disponibiliza uma pequena variedade de óculos graduados para o utilizador não perder tempo. Ah maravilha!
Por curiosidade, esta foi a minha refeição durante 4 dias consecutivos:

A cantina da fábrica não era muito variada.

E foi isto...

Bom fim de semana!
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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

Nanjing em fotos

From Nanjing.Jan.08
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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007

Jinan e outras coisas

Já vai para lá de uma semana que regressei a Macau, mas tem faltado tempo para rematar, pelo menos aqui no blog. Tempo e vontade. De Jinan regressei cansado e constipado, trabalhei fora de horas e estava realmente fresco por lá e não resisti a ficar com o pingo. Em relação ao trabalho foi uma viagem claramente positiva, por outro lado para turismo aquelas bandas pareceram-me fraquitas, ainda para mais eu compreendi mal aquilo das springs, é que eram mesmo só springs e não hot springs. Ainda nos levaram a uma montanha bastante alta, mas alta mesmo, a subir escadas, levámos cerca de 3h para lá chegar, mas até foi um “passeio” interessante. As fotos estão aqui ou aí.

From Jinan

Entretanto, estreei-me no principal Campeonato de Futebol de Macau com uma derrota por 1-0. Foi um bom jogo, não muito bonito mas bastante disputado por duas equipas com objectivos diferentes, o Monte Carlo ambiciona repetir o titulo de campeão que conquistou na “bolinha” e a minha equipa, o Heng Tai, pretende não descer, como se costuma dizer, fazer um campeonato tranquilo. Isto são coisas que, de certeza, não vou esquecer! Imaginem, a maioria de vocês, amigos e compadres, que jogaram vezes sem conta à bola com este maçarico, está agora a jogar na 1ª divisão de uma região. Só mesmo em Macau. É lindo. Acabar o jogo, com a bancada do estádio vazia, no entanto o jornalista da “praxe” encontra-se à entrada dos balneários para entrevistar o sr. capitão ou outros assim, depois com direitos a referência no jornal diário do dia seguinte. Enfim... é Macau, onde tudo é tão próximo.

Agora uma azia: Esta cena do Káka já me irrita! Faz-me lembrar o ano em que o 9.Ronaldo ganhou o prémio da FIFA quando a única coisa que fez foi marcar 8 golos no campeonato do mundo, mas menos escandaloso no que diz respeito ao numero de jogos durante a época. No ano do 9.Ronaldo ao que parece não havia a quem dar o prémio... tudo bem. Agora este ano? Devem andar a gozar com a malta! O Káka andou a época toda a jogar para a Liga dos Campeões, de facto esteve bem, de facto ganhou-a. Mas a época é muito mais que essa liga. O 7.Ronaldo no MU carregou a equipa às costas meses a fio, foi campeão de Inglaterra, fez 18 golos no campeonato, esteve excelente, enquanto deu, na liga dos campeões (quem não se lembra da eliminatória contra a Roma?? - apenas como exemplo.), na selecção nacional a mesma coisa, quantos golos e jogos decisivos resolveu no apuramento de Portugal? E na nova época - nova como quem diz? O Káka tem jogado? O Milan está em 8º e a 13 pontos do primeiro. Enfim... até o Drogba merecia mais. Mas esse é Africano... e o 7.Ronaldo é...
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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007

Jinan, no Norte da China

Boas!
Afinal de contas, antes de Boracay ainda vou a Jinan numa viagem que no pedido para o visto para a China leva o “certinho” no quadrado de Business Travel.

Ah pois é! Vou lá assistir, participar, supervisionar, verificar - e acima de tudo aprender – o resultado dos teste de aceitação em fábrica (FAT). Isto é, verificar se o equipamento cumpre as nossas especificações e pode de facto ser enviado para Macau para posterior instalação. O equipamento é um transformador de potência 220/110kV, portanto um bicho, com certeza, maior que o vosso quarto. Vai ser, acredito eu, a minha primeira experiência num ambiente profissional quase exclusivamente chinês...

Em relação a Jinan, é uma cidade “nova”, em grande crescimento industrial, com fábricas de diversas multinacionais - Panasonic, Matsushita, Siemens, Pepsi-Cola, Volvo - e fundamentalmente conhecida pelas muitas termas (ou springs). Sendo no norte a temperatura que por lá se encontra pode ser definida como “um calor esquisito”, oscilando por esta altura entre o 1º e os 15ºC. Se tiver tempo, com este calor esquisito que se faz sentir, sou capaz de me pôr de molho.

Ass: O afortunado
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Coisas que devemos saber: A liderança do Partido Comunista Chinês

Segundo remate sobre a história recente da China. Relembro que não tenciono descrever com precisão acontecimentos históricos mas apenas passar algumas das coisas que li, que fixei e que me ajudam a perceber este povo.
Nota: Todos as citações foram retiradas do livro Cisnes Selvagens.

Em 1948 o "exército do povo" começou a tomar conta das principais cidades que estavam sobre o comando do Kuomintang até que por fim expulsaram uns, mataram outros e “converteram” alguns. Em menos de 3 meses colocaram a China a carburar, dando mostras da sua organização, rigidez, capacidade trabalho e dedicação pela “causa”.
Na minha opinião, distante e moldada pela educação tolerante, “causa” está – ou estava? – para o Partido Comunista Chinês (PCC) como “fé” está para os extremistas religiosos. Ser comunista chinês não era ser, era querer ser, era um processo de aprendizagem que demorava tempo, exigia dedicação, devoção e exclusividade. Tinha que se saber sofrer e calar, ser duro e humilde. Acreditar. Com muita “fé”. Defender a “causa” acima de tudo. Tudo e todos.

Para além de mostrarem uma grande proximidade ao povo (na sua maioria camponeses) ainda faziam a China crescer, colocaram as fábricas a trabalhar, os campos a produzir mais, a comida e os bens mais distribuídos, no entanto, outros factores começaram também a ganhar dimensão no comunismo chinês, a saber, as reuniões de denuncia e as autocríticas publicas, onde a ideia era o castigo por comportamentos menos próprios de um comunista e promover o controlo detalhado da vida de cada membro. Neste último caso, todos controlavam todos e a menor “falha” perante a causa era denunciada e, muitas vezes, exacerbada. Também era comum utilizar estas denúncias para dar azo à inveja e a vinganças pessoais, onde algumas vezes pura e simplesmente se inventava.
Este controlo era rigoroso “A minha mãe foi intimada a traçar uma linha entre ela e os amigos. «Traçar uma linha» foi um dos mecanismos chave que os comunistas introduziram para acentuar a separação entre os «de dentro» e os «de fora». Nada, nem sequer as relações pessoais, eram deixadas ao acaso ou podiam funcionar livremente… Na altura, uma regra não escrita estipulava que nenhum revolucionário devia passar a noite fora do seu local de trabalho, a não ser ao sábado… Tens de obedecer ao partido mesmo que não compreendas ou não concordes com ele. Aquela era fundamentalmente uma revolução camponesa… Quem quisesse participar da revolução tinha por obrigação endurecer-se ao ponto de tornar-se imune às privações.”
De facto a vida dos revolucionários não era fácil nem se previa fácil, mas naquele momento o fim justificava os meios e o povo já sentia as diferenças - "O novo governo convidou os camponeses a virem vender os seus produtos na cidade, e encorajou-os a fazê-lo fixando os preços no dobro do que recebiam no campo. O preço do sorgo caiu rapidamente, de 200 milhões de dólares do Kuomintang o quilo para 4400 dólares. Pouco depois, um trabalhador médio podia comprar dois quilos de sorgo com o que ganhava num dia. Os comunistas distribuíam alimentos, sal e carvão pelos mais pobres. Outra coisa que conquistou a boa vontade da população local foi a disciplina dos soldados comunistas. Não só não se verificavam saques nem violações, como muitos demonstravam um comportamento verdadeiramente exemplar..."
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Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007

Sem ideias... ou não!

Epá... como estou sem ideias para escrever lembrei-me que era giro colocar aqui um texto que li num jornal local (Hoje). Por acaso até encaixa bem no blog, pois fala de trânsito (como eu gosto de falar nisto) e ainda por cima entra bem aqui e nesta altura, dando seguimento ao desafio que me coloquei, em falar um pouco da China, referindo comportamentos do povo chinês e de Macau. Ora vamos lá a ele.

O repouso do carro
Foi com alívio que à saída de Portugal deixei as chaves do carro para trás.
Em Macau para que preciso eu de carro se é tudo é tão perto?! Mesmo morando na Taipa, em menos de um suspiro estou em Macau e com dois ou três chego à ilha de minha eleição, Coloane, o mais acolhedor dos lugares. Qual não foi o meu espanto, logo à saída do Jetfoil, quando estive mais de muito tempo dentro de um táxi, porque os carros corriam por todos os lados e em todas as direcções.
É claro que esta imensa quantidade de tubos de escape em todos os milímetros de rua tem uma explicação. O carro é uma máquina de assinatura ocidental, que dá muito conforto a curto prazo e uma série de doenças a longo; o que parte dos chineses ignora. Além do mais, o carro é na China reformista e, como tal, para a população chinesa de Macau, um manifesto palpável da rejeição do Maoísmo. Com esta máquina acabaram-se as Longas Marchas e os feitos heróicos e absolutamente desmedidos que Mao impunha com as suas ideias mirabolantes e tantas vezes simplistas, que se reflectiam, por exemplo, no uso das bicicletas; mas também em provérbios como Yugong remove montanhas. Relembremos um pouco da imagética filosófica que conduziu em extremo à Revolução Cultural. Havia um velho, já muito velhinho, cujo caminho era bloqueado por duas grandes montanhas. Ele então teve a ideia de as remover, sem máquinas, apenas com ajuda dos filhos e de uns instrumentos rudimentares como pás e baldes. Um outro velho, de nome Sábio, que era seu vizinho, riu-se daquilo que lhe parecia um esforço absurdo. Yugong, o Velho Tonto, que com a ajuda da família ia removendo pacientemente os obstáculos, respondeu ao desafio do Sábio com as seguintes palavras: “Por que troças? Quando eu morrer, hão-de ficar os meus filhos e netos para prosseguirem a minha obra; por fim venceremos, porque as montanhas não crescem, mas a minha descendência não pára de aumentar”. Mao, como já disse, aproveitou-se deste provérbio para pedir esforços fantásticos a um povo, que, montado nas suas bicicletas, via, de dia para dia, as suas condições de vida a deteriorarem-se. É então mais do que natural que os chineses torçam o nariz se lhes propusermos trocar os seus cómodos e, em tantos casos, faustosos veículos, por bicicletas; nas suas cabeças não passamos de maoístas disfarçados, ou seja, gente cheia de ideias que não funcionam na prática. Porém, não é menos verdade que os chineses são um povo extremamente inteligente e até influenciável, como não escapou a Ferreira de Castro quando andou por estas bandas. Diz-nos ele: “O chinês dificilmente se exalta. Calmo, tolerante, resignado, os seus bairros desconhecem a desordem. Influenciável, ele pode ir até às maiores aberrações, mas vai, também, frequentemente, às mais nobres atitudes. (Macau e a China, Câmara Municipal das Ilhas Provisória, p. 35)
Penso como o Ferreira de Castro, por isso não considero tão difícil assim pedir aos chineses, não que abandonem, mas que reduzam a utilização das suas vistosas máquinas. Por um lado, se eles são influenciáveis, basta que nos vejam andar mais a pé; por outro, como são muitíssimo inteligentes e afectivos é preciso encontrar um bom argumento que explique os benefícios de deixar mais tempo os carros a repousarem nas garagens. Querem um argumento infalível? Pois aqui está um: sabendo do amor que os descendentes do Dragão nutrem pela família, e em tempo de controlo de natalidade, pelos poucos filhos que têm, há que lembrar-lhes que devem deixar uma terra onde os seus descendentes possam prosperar sem grandes problemas de saúde e, no limite, até sobreviver. Isto basta para os convencer. E quanto a nós, sinceramente, ó compatriotas, estamos dispostos ao esforço de largar um pouco do nosso conforto em troca de uma melhoria evidente no ambiente e na saúde? É mesmo preciso levar o carro ao supermercado? Para quê? Para o trazermos a transbordar de bens supérfluos? Se formos às compras a pé, trazemos bastante menos para casa, no máximo um saco ou dois, e assim habituamo-nos apenas a comprar o essencial; além disso, reduzimos inevitavelmente as idas ao ginásio, porque passamos a fazer muito mais exercício; por fim, acostumamo-nos a um tempo lento, porque a pé fazemos tudo mais devagar, o que tem como primeiríssima vantagem uma reaproximação à natureza; tal só fará bem a muitos de nós, que já esqueceram os diálogos com os nossos irmãos naturais. Há quanto tempo não vemos o voo de um pássaro ou as correrias tontas de uma barata? Quem ainda consegue ler no aparecimento das libelinhas a mudança de tempo?
Em terra chinesa, é tempo de recuperar a filosofia do meio tão apregoada ao longo dos tempos através da releitura do clássico confuciano, a Doutrina do Meio, que a tradição atribui a um neto de Confúcio, Sizi; mas que nós hoje sabemos ser o fruto do trabalho de um discípulo posterior que viveu durante a dinastia Han. Se seguirmos a filosofia do meio, nada faremos em excesso; logo deixamos as chaves deste cómodo meio de transporte em casa várias vezes por dia, dando provas de maturidade civilizacional, de civismo e, sobretudo, de um respeito profundo pelas gerações vindouras. Eu gostava que os meus netos pudessem visitar Macau e, quem sabe, até que viessem viver para cá, mas na condição de ter uma terra ainda verde e bonita para lhes oferecer.

Por: Ana Cristina Alves em Hoje

P.S: Bom fim de semana e não se esqueçam de deixar o carro na garagem!
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2007

Coisas que devemos saber: O domínio Japonês e o Kuomintang


Aqui está o meu primeiro remate sobre a história recente da China. Relembro que não tenciono descrever com precisão acontecimentos históricos mas apenas passar algumas das coisas que li, que fixei e que me ajudam a perceber - ou pelo menos a defender - este povo.

Nota: Todos as citações foram retiradas do livro Cisnes Selvagens.

Antes do Kuomintang (KTC) ser “reconhecido” como o novo governo central da China, esta esteve em guerra e depois sobre o domínio Japonês entre 1937 a 1945. O Japão não queria conquistar a imensa China, antes criar pequenas regiões que defendessem os seus interesses na Ásia continental e, para o efeito, estabeleceu pequenos estados com governos locais japoneses. O pior foi a falta de ética e de humanismo destes governadores, durante anos a maioria do povo chinês foi alvo de descriminação, de injustiças e actos desumanos. Excertos e exemplos de atrocidades do livro Cisnes Selvagens: “Como parte da sua educação, a minha mãe e as outras crianças tinham de assistir a noticiários cinematográficos que descreviam as vitórias do Japão na guerra. Longe de se envergonharem com a brutalidade de que davam mostras, os Japoneses elogiavam-na como uma boa maneira de inculcar o medo. Os filmes mostravam os soldados a cortar pessoas ao meio e prisioneiros amarrados a postes e destroçados à dentada por cães ferozes... Os japoneses vigiavam atentamente as rapariguinhas para impedi-las de fechar os olhos ou meter lenços na a boca a fim de abafar os gritos. Muitos anos depois a minha mãe ainda tinha pesadelos... Durante 1942... os Japoneses começaram a sentir falta de mão-de-obra. Toda a turma da minha mãe foi requisita para trabalhar na fábrica de têxteis, tal como as crianças japonesas. As crianças chinesas tinham que caminhar cerca de 6 km todos os dias; as japonesas iam de camião. As chinesas comiam uma sopa rala feita de milho bolorento com lagartas mortas a nadar à superfície; as japonesas levavam almoços empacotados, com carne, legumes e fruta.”
Claro, e tendo em conta que não foi há muito tempo, existe uma mágoa ainda fresca entre estes dois povos emblemáticos da Ásia.
Em 1945 o Japão deu-se como vencido e o KTC assumiu a liderança passado alguns meses. Nesta transição de poder muitos líderes japoneses e suas famílias foram torturadas e assassinadas - “As crianças chinesas vingaram-se dos seus professores japoneses e espancaram-nos selvaticamente... Os saques, as violações e as mortes continuaram durante oito dias após a rendição dos japoneses...”.

Passou-se 4 meses até que o Kuomintang “unificou” a China, no entanto guerras internas aconteciam por todo o lado entre os senhores da guerra. Por esta altura regressou também a guerra civil, entre o KTC e os Comunistas, os Comunistas refugiaram-se nos campos - ”Cercar as cidades com os nossos campos, e com o tempo, tomar as cidades - dizia o líder dos comunistas Mao Zedong ”, tentando controlar toda a produção agrícola , enquanto o KTC imperava nas cidades. Durante algum tempo o KTC foi a esperança para o povo chinês, mas depressa se tornou corrupto, desleixado e os seus líderes, uma vez mais, desprezavam o povo - "Se alguém tinha a pouca sorte de ofender o Kuomintang, o mais provável era ser acusado de comunista, o que as mais das vezes significava prisão, e frequentemente tortura". A inflação crescia desmesuradamente, bastavam horas, não havia negócio ou dinheiro que valesse e a comida começou a escassear nas cidades – “porém havia um negócio que ia de vento em poupa: a venda de raparigas para bordéis e para servirem de criadas-escravas nas casas dos homens ricos. Durante dias seguidos a minha mãe encontrou à saída da escola uma mulher esquelética, de ar desesperado e vestida de farrapos, caída no solo gelado. Ao lado dela estava uma menina com cerca de 10 anos, ostentava no rosto uma expressão de miséria apática. Num pau que lhe saía das costas... tinha escrita a frase: Filha à venda por 10 kilos de arroz”.
Com isto, os Comunistas começavam a ganhar força, recrutando jovens e pessoal instruído cada vez com mais facilidade.

Se calhar, importa dizer que o Kuomintang (ou Partido Nacionalista) na altura refugiou-se em Taiwan, governando-a em formato de partido único até 1991.

p.s: hoje estreia-se o Sporting na Champions de 2007/2008. Força!
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007

Coisas que devemos saber

Nota: Durante os dias ou semanas que se seguem irei tentar escrever com alguma regularidade sobre a China, ou antes, sobre a sua história. Visto isto dar um remate enorme vou dividir em vários. Hoje começo pela introdução.

Confesso que tenho-me interessado pela história recente chinesa. Ajudou-me, por um lado, a passar as tardes na piscina e, por outro, a tolerar e a compreender as diferenças.

Vou aqui narrar alguns acontecimentos, destacar pessoas e, talvez, entidades que fixei quando li sobre elas e que – julgo – marcaram a China e o povo de hoje.

Vou utilizar como auxilio o livro “Cisnes Selvagens” de Jung Chang, postando aqui alguns excertos. Aconselho a todos este fantástico livro. Conta a história de vida de três mulheres chinesas – mãe, filha e neta – contada na primeira pessoa, pela neta. Tem relatos incríveis sobre a miséria humana, o amor e as crenças politicas, sobre o controlo e a manipulação que um “deus” – que nunca existiu – conseguiu exercer sobre o seu povo usando apenas o próprio povo.
Abro já a porta há possível utilização de outras fontes de auxilio, ok?

Sei que já vos falei de algumas diferenças comportamentais que me incomodam no dia a dia, que vão cansando a quem não percebe e não alinha nesse proceder, mas, para mim, tudo isso tem uma causa – a teoria da causa e efeito – e acho que vos vou conseguir passar essa ideia. Vou, sempre que possível, juntar aos factos históricos, para além da história de Jung Chan e da sua família, a minha própria experiência por terras do Oriente.

Este é o desafio que lanço a mim e a a vocês, amigos, colegas e estranhos que por aqui passam.

Prognóstico: O próximo remate deverá ser sobre o Kuomintang.

P.S: Espero que isto passe da ideia ao remate.
P.S II: E, como hoje jogo eu e joga a selecção, boa sorte aos intervenientes lusos!
rematado por playmaker 10 às 14:03
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